O
que antes era uma atividade exclusiva dos donos de engenho hoje é
ressignificada no assentamento Curralinho, localizado no município
de Paulista. A existência de um engenho de cana-de-açúcar que
produz rapadura, mel de engenho e até alfenim, em Curralinho, é uma
prova de que se os modos de produção são socializados, as relações
de trabalho também são e a exploração desaparece. Isso só foi
possível graças à construção de uma Unidade Demonstrativa de
Beneficiamento de Cana-de-Açúcar em 2012, através do acesso de um
crédito no valor de 10 mil reais para reestruturar a moagem do
engenho.
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| Moagem da cana-de-açúcar no assentamento Curralinho para produção de rapadura |
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| Unidade Demonstrativa de Beneficiamento de Cana-de- Açúcar |
O
processo de produção em Curralinho é bem diferente, desde o corte
de cana até o funcionamento do engenho. O corte de cana é regado a
música e cada trabalhador que participa pára e descansa quantas
vezes for necessária. Não existe fiscal nem capataz, os assentados
que por ora realizam um trabalho para receber uma diária com o menor
preço pago por 90 reais, são também os companheiros do dono da
moagem do dia. Cada assentado interessado na moagem de cana-de-açúcar
pode plantar cana e utilizar o engenho pelo período que for
necessário até moer a respectiva cana plantada. Assim como cada
assentado planta a quantidade de cana que quiser e se não quiser
moer pode vender para o responsável pela moagem do dia.
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| Seu Raulino |
É
o caso de Seu Raulino, de 70 anos, que plantou dois hectares de cana
e desses produz cerca de 15 caminhotes de rapadura que são vendidos
em Paulista, São Bento e Sousa a preços que variam entre 5 e 6
reais. Já o alfenim só é feito para consumo interno do
assentamento. Ele explica com orgulho o direito conquistado com a
Reforma Agrária. “Antes eu trabalhava de meia e agora eu estou
trabalhando para mim só e assim eu consigo vender bem e vejo
vantagem porque consigo ainda ter algum lucro”, declarou Seu
Raulino.
Para
dar prosseguimento ao trabalho na moagem Seu Raulino conta com a
experiência de Seu Raimundo que trabalha há mais de 40 anos em
engenhos. “Eu faço isso há mais de 40 anos, só de olhar eu sei o
ponto da rapadura”, falou o experiente Raimundo, que é natural da
cidade de Lastro.
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| Mestre da Moagem, Seu Raimundo. |
A
cada dia de moagem no engenho de Curralinho são envolvidos cerca de
20 trabalhadores, além de uma renda extra, é possível verificar
que ao mudar a propriedade dos meios de produção para as mãos dos
assentados da reforma agrária, foi possível gerar renda de forma
solidária e responsável.
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