terça-feira, 18 de agosto de 2015

MOAGEM DA CANA-DE-AÇÚCAR É REATIVADA NO ASSENTAMENTO CURRALINHO

O que antes era uma atividade exclusiva dos donos de engenho hoje é ressignificada no assentamento Curralinho, localizado no município de Paulista. A existência de um engenho de cana-de-açúcar que produz rapadura, mel de engenho e até alfenim, em Curralinho, é uma prova de que se os modos de produção são socializados, as relações de trabalho também são e a exploração desaparece. Isso só foi possível graças à construção de uma Unidade Demonstrativa de Beneficiamento de Cana-de-Açúcar em 2012, através do acesso de um crédito no valor de 10 mil reais para reestruturar a moagem do engenho.
Moagem da cana-de-açúcar no assentamento Curralinho para produção de rapadura

Unidade Demonstrativa de Beneficiamento de Cana-de- Açúcar

O processo de produção em Curralinho é bem diferente, desde o corte de cana até o funcionamento do engenho. O corte de cana é regado a música e cada trabalhador que participa pára e descansa quantas vezes for necessária. Não existe fiscal nem capataz, os assentados que por ora realizam um trabalho para receber uma diária com o menor preço pago por 90 reais, são também os companheiros do dono da moagem do dia. Cada assentado interessado na moagem de cana-de-açúcar pode plantar cana e utilizar o engenho pelo período que for necessário até moer a respectiva cana plantada. Assim como cada assentado planta a quantidade de cana que quiser e se não quiser moer pode vender para o responsável pela moagem do dia.
Seu Raulino
É o caso de Seu Raulino, de 70 anos, que plantou dois hectares de cana e desses produz cerca de 15 caminhotes de rapadura que são vendidos em Paulista, São Bento e Sousa a preços que variam entre 5 e 6 reais. Já o alfenim só é feito para consumo interno do assentamento. Ele explica com orgulho o direito conquistado com a Reforma Agrária. “Antes eu trabalhava de meia e agora eu estou trabalhando para mim só e assim eu consigo vender bem e vejo vantagem porque consigo ainda ter algum lucro”, declarou Seu Raulino.
Para dar prosseguimento ao trabalho na moagem Seu Raulino conta com a experiência de Seu Raimundo que trabalha há mais de 40 anos em engenhos. “Eu faço isso há mais de 40 anos, só de olhar eu sei o ponto da rapadura”, falou o experiente Raimundo, que é natural da cidade de Lastro.
Mestre da Moagem, Seu Raimundo.

A cada dia de moagem no engenho de Curralinho são envolvidos cerca de 20 trabalhadores, além de uma renda extra, é possível verificar que ao mudar a propriedade dos meios de produção para as mãos dos assentados da reforma agrária, foi possível gerar renda de forma solidária e responsável.

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