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| Manejo apícola no P. A. Frei Dimas |
Em
uma região onde há bastante mata com a presença de espécimes nativas, nas
serras de Catolé do Rocha, existe uma tradição familiar de convivência positiva
e lucrativa com o semiárido, a apicultura. Assentados do P. A. Frei Dimas,
associam a atividade agrícola com a criação de abelhas e apostam numa
alternativa que garante, além dos recursos financeiros, a sobrevivência e a
sustentabilidade daquele ecossistema.
Chegar
ao P.A. Frei Dimas não é difícil, quem segue pela BR 230 deve ter atenção ao
chegar ao contorno que dá acesso à cidade de Catolé do Rocha, daí continua pela
PB 325. Todo o percurso foi devidamente sinalizado pela equipe de ATES da
CAAASP – Central das Associações dos Assentamentos do Alto Sertão Paraibano. Ao
passar pela cidade de Catolé do Rocha o visitante deve tomar a direção de Patu,
pela RN 078, logo a frente há um acesso à esquerda por uma estrada vicinal, a
partir daí começa um trecho de belíssimo cenário formado por rochas e exuberante
fauna.
Aroeiras,
juazeiros, mororós, angicos, pereiros, catingueiras e marmeleiros são algumas
das árvores que, imponentes, sobrevivem – “ano a ano” – as intempéries
climáticas e possibilitam que toda aquela região seja bastante rica em floradas
sucessivas. Ainda, no período chuvoso surgem tantas outras espécies nativas e
temporárias, entre elas a jitirana, que potencializam a região como grande
produtora de mel e ótima localidade para desenvolver a criação de abelhas em
cativeiro.
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| Região de exuberante flora |
O
Projeto de Assentamento ainda é bastante novo, quatro anos apenas, mas, entre
as famílias assentadas já existe a tradição e o conhecimento técnico,
indispensáveis para a expansão da atividade numa perspectiva mais ousada de
empreendimento que, por exemplo, possa fazer do assentamento modelo na prática
da apicultura.
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| "Seu Olívio", apicultor |
Visitamos seu Olívio, um dos apicultores locais, e acompanhamos seu cotidiano na prática apícola. Quem também nos acompanhou foi Silvia, mais conhecida como “Silvinha” (irmã de Olívio), coordenadora da associação e apicultora. Ambos são filhos de apicultor e relatam sobre seus envolvimentos com a atividade e o cuidado no manejo sustentável de cada lote. Percebe-se que a criação de abelhas não impede que ambos possam ter outras atividades, no caso de Silvio ele cria também caprinos de várias raças, entre elas a boer.
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| Caprinos da raça boer |
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| Caprinos da raça boer |
Além
de visitarmos a criação da abelha italiana (Apis
mellifera lingusta) do seu Olívio, conhecemos o espaço devidamente
preparado, no quintal de Dona Silvinha, para criação da abelha jandaíra (melipona
subnitida duke), ela nos informa, ainda, que está em andamento a
criação de um apiário comunitário, resultado de uma oficina realizada pelo IFPB
– Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba. Bastante
entusiasmada, a apicultora comenta: “O nosso sonho é ver nosso Assentamento
sendo modelo através da prática da meliponicultura”.
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| Abrigo construído para proteção das colmeias da abelha jandaíra (melipona subnitida duke) |
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| Abrigo construído para proteção das colmeias da abelha jandaíra (melipona
subnitida duke) |
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Colmeia de Jandaíra (melipona
subnitida duke)
Mas, ainda há muito para ser feito. Para que a prática da
apicultura torne-se predominante no arranjo produtivo local, necessário se faz
investimentos em infraestrutura. Tanto o acesso – “as estradas, no período chuvoso,
ficam inacessíveis, comenta Olívio – quanto a aquisição de equipamentos
(centrífuga, decantador de mel, mesa desocuperladora etc) indispensáveis para a
expansão da atividade.
“Atualmente a gente processa o mel em equipamento de terceiro”,
a fala de Seu Olívio é uma afirmação e um apelo, tanto às autoridades
governamentais, quanto aos próprios vizinhos e parceiros do assentamento para
que possam adquirir, em nome da coletividade, uma unidade de processamento do
mel, o que iria agregar valor ao produto e, consequentemente aumentar a renda
dos apicultores.
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Irmãos, Olivio e "Silvinha", falam sobre a apicultura no P. A. Frei Dimas.
Outro problema que aflige aos assentados, de forma geral, é a
presença de caçadores dentro da área do assentamento. Além do crime ambiental
praticado por pessoas que vêm de várias localidades, principalmente, moradores
da cidade de Catolé do Rocha, esses infratores quebram o sossego da comunidade,
estressam animais, fazem focos de fogo na mata e criam um ambiente de
insegurança para todos que ali vivem.
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Apesar dos avisos, a prática ilegal da caça é um problema que casa insegurança no Assentamento
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Resistindo aos obstáculos que a realidade impõe e cheios de
esperança no futuro, sentimentos naturais de quem vive do que a natureza
oferece, os apicultores do P. A. Frei Dimas dão lição de convivência com o
semiárido e possibilitam acreditar numa nova realidade que surge no campo e tem
como locomotiva mestra a agricultura familiar e sua diversidade.
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| "Favos" da abelha Jandaíra (melipona
subnitida duke) |