| Abertura do Fórum Unificado |
Entre
os dias 16 e 18 de dezembro, assentados e assentadas dos territórios
do Alto sertão paraibano e do Médio Piranhas se reuniram no Centro
Pastoral Diocesano, em Cajazeiras, para avaliar as ações da
Assessoria Técnica, Social e Ambiental (Ates) desenvolvidas pela
Central das Associações dos Assentamentos do Alto Sertão
Paraibano (CAAASP). “A gente resolveu reunir os assentados dos
dois lotes de Ates num Fórum para que eles possam trocar
experiências e produtos. O pessoal pôde compartilhar as
experiências boas e ruins. Mesmo num ano de crise política,
financeira e de água, as famílias conseguiram se superar e trazer
produtos para o Fórum, sobreviver e participar com qualidade deste
momento.”, explicou a Josefa Alves Vieira, coordenadora da CAAASP.
| Mística de Abertura |
A
chegada dos agricultores se deu na noite do dia 16, cheio de
expectativas para o Fórum, eles foram acolhidos por uma mística de
abertura e puderam conferir a apresentação de um grupo de capoeira.
A
assentada Silva Maria de Lima, do assentamento Frei Dimas, falou
sobre suas expectativas para o Fórum. “Esse é o primeiro fórum
da CAAASP que eu participo, tá sendo um momento muito proveitoso, a
minha expectativa é que eu aprenda cada vez mais e que leve coisas
boas e novas para nosso assentamento. Nós viemos reivindicar aqui o
Plano de Desenvolvimento do Assentamento e o parcelamento para nossa
comunidade.”, declarou a assentada em Frei Dimas.
Durante
a abertura do Fórum, várias organizações estiveram presentes como
a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Instituto Frei Beda, Sindicato
de Trabalhadores Rurais de Aparecida e representantes do assentamento
mais antigo, Acauã, e mais recente da regional de Cajazeiras,
Jatobá.
| Mostra Audiovisual |
Também
foi possível a comercialização dos produtos trazidos pelos
assentados durante o Fórum. Dona Luzinete, do assentamento Floresta,
falou para nós o produto que mais gostou, vindo dos assentamentos
para ser vendido no Fórum, e também comentou sobre o documentário
Cultivando vidas em Floresta, da mostra audiovisual. “Eu gostei
muito da mostra audiovisual, lá no nosso assentamento quase todos os
assentados produzem de forma agroecológica e sobre os produtos, eu
queria esse tatuzinho de madeira, que é lindo”, declarou.
Os
dois lotes de assentamento acompanhados pela CAAASP avaliaram e
apresentaram o que fizeram nas áreas de assentamento de junho até
dezembro. As áreas do Médio Piranhas representam o entorno de
Pombal e o Alto Sertão, o entorno de Cajazeiras. O coordenador
técnico do lote Médio Piranhas, José de Anchieta, elencou as
atividades do projeto até o mês de dezembro. “Para a gente falar
do que foi feito até agora, é preciso relembrar a conjuntura que
passamos, nem tudo que estava previsto foi realizado por
conta da falta de recursos, mas fizemos mais de 900 visitas
individuais, elaboramos mais de 90 projetos de Pronaf's, realizamos a
aplicação dos questionários Sigmas, parcelamento dos assentamentos
Paxicu, Santa Mônica e Cantinho, além de atividades da área social
como oficinas de associativismo e do eixo de comunicação como os
programas de rádio, revista Voz da Terra e sistematização de
experiências positivas dos assentamentos”, explicou.
| José de Anchieta |
O
Fórum também abordou o problema do enfrentamento à violência
contra a mulher e contou com a presença da delegada especial da
mulher em Cajazeiras, Cristiana Roberta. “Esses momentos de
diálogos com os assentados e assentadas são muito importantes para
divulgar a Lei Maria da Penha e empoderar as mulheres que sofrem
violência a denunciar, seja procurando a delegacia ou pelos
telefones 180 ou 197. A CAAASP também faz parte da rede de
enfrentamento à violência contra a mulher e as assentadas que
desejarem pode procurar ajuda na própria CAAASP”, declarou a
delegada.
| Assentada em busca de direitos |
No
fórum também aconteceu oficina sobre sementes da paixão, gênero e
direito das mulheres, oficina de saúde da mulher e de formação
para agentes ambientais com a participação de jovens. A médica
Andréa Campigotto, facilitou a oficina de saúde da mulher e focou a
discussão na sobrecarga de trabalho que as mulheres têm e na
relação deste fator com a saúde das mulheres. “As mulheres
acumulam uma carga horária imensa, tanto de trabalho doméstico
invisibilizado e não remunerado, quanto o de cuidados com os
doentes, crianças e adultos, e ainda trabalham no mercado de
trabalho remunerado. O resultado disso tudo é o adoecimento. Muitas
vezes dói o corpo todo e as mulheres não sabem dizer o que estão
sentindo. Quando as mulheres adoecem, elas mesmas que cuidam de si”,
explicou Andrea.
| Superintendente doo Incra Cleofas Caju |
| Participação de Sofia |