segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

CAAASP realiza Fórum unificado dos assentamentos do Médio Piranhas e Alto Sertão paraibano em Cajazeiras

Abertura do Fórum Unificado
Entre os dias 16 e 18 de dezembro, assentados e assentadas dos territórios do Alto sertão paraibano e do Médio Piranhas se reuniram no Centro Pastoral Diocesano, em Cajazeiras, para avaliar as ações da Assessoria Técnica, Social e Ambiental (Ates) desenvolvidas pela Central das Associações dos Assentamentos do Alto Sertão Paraibano (CAAASP). “A gente resolveu reunir os assentados dos dois lotes de Ates num Fórum para que eles possam trocar experiências e produtos. O pessoal pôde compartilhar as experiências boas e ruins. Mesmo num ano de crise política, financeira e de água, as famílias conseguiram se superar e trazer produtos para o Fórum, sobreviver e participar com qualidade deste momento.”, explicou a Josefa Alves Vieira, coordenadora da CAAASP.

Mística de Abertura

A chegada dos agricultores se deu na noite do dia 16, cheio de expectativas para o Fórum, eles foram acolhidos por uma mística de abertura e puderam conferir a apresentação de um grupo de capoeira.
A assentada Silva Maria de Lima, do assentamento Frei Dimas, falou sobre suas expectativas para o Fórum. “Esse é o primeiro fórum da CAAASP que eu participo, tá sendo um momento muito proveitoso, a minha expectativa é que eu aprenda cada vez mais e que leve coisas boas e novas para nosso assentamento. Nós viemos reivindicar aqui o Plano de Desenvolvimento do Assentamento e o parcelamento para nossa comunidade.”, declarou a assentada em Frei Dimas.

Durante a abertura do Fórum, várias organizações estiveram presentes como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Instituto Frei Beda, Sindicato de Trabalhadores Rurais de Aparecida e representantes do assentamento mais antigo, Acauã, e mais recente da regional de Cajazeiras, Jatobá.
Mostra Audiovisual
Também foi possível a comercialização dos produtos trazidos pelos assentados durante o Fórum. Dona Luzinete, do assentamento Floresta, falou para nós o produto que mais gostou, vindo dos assentamentos para ser vendido no Fórum, e também comentou sobre o documentário Cultivando vidas em Floresta, da mostra audiovisual. “Eu gostei muito da mostra audiovisual, lá no nosso assentamento quase todos os assentados produzem de forma agroecológica e sobre os produtos, eu queria esse tatuzinho de madeira, que é lindo”, declarou.
Os dois lotes de assentamento acompanhados pela CAAASP avaliaram e apresentaram o que fizeram nas áreas de assentamento de junho até dezembro. As áreas do Médio Piranhas representam o entorno de Pombal e o Alto Sertão, o entorno de Cajazeiras. O coordenador técnico do lote Médio Piranhas, José de Anchieta, elencou as atividades do projeto até o mês de dezembro. “Para a gente falar do que foi feito até agora, é preciso relembrar a conjuntura que passamos, nem tudo que estava previsto foi realizado por conta da falta de recursos, mas fizemos mais de 900 visitas individuais, elaboramos mais de 90 projetos de Pronaf's, realizamos a aplicação dos questionários Sigmas, parcelamento dos assentamentos Paxicu, Santa Mônica e Cantinho, além de atividades da área social como oficinas de associativismo e do eixo de comunicação como os programas de rádio, revista Voz da Terra e sistematização de experiências positivas dos assentamentos”, explicou.
José de Anchieta

O Fórum também abordou o problema do enfrentamento à violência contra a mulher e contou com a presença da delegada especial da mulher em Cajazeiras, Cristiana Roberta. “Esses momentos de diálogos com os assentados e assentadas são muito importantes para divulgar a Lei Maria da Penha e empoderar as mulheres que sofrem violência a denunciar, seja procurando a delegacia ou pelos telefones 180 ou 197. A CAAASP também faz parte da rede de enfrentamento à violência contra a mulher e as assentadas que desejarem pode procurar ajuda na própria CAAASP”, declarou a delegada.
Assentada em busca de direitos

No fórum também aconteceu oficina sobre sementes da paixão, gênero e direito das mulheres, oficina de saúde da mulher e de formação para agentes ambientais com a participação de jovens. A médica Andréa Campigotto, facilitou a oficina de saúde da mulher e focou a discussão na sobrecarga de trabalho que as mulheres têm e na relação deste fator com a saúde das mulheres. “As mulheres acumulam uma carga horária imensa, tanto de trabalho doméstico invisibilizado e não remunerado, quanto o de cuidados com os doentes, crianças e adultos, e ainda trabalham no mercado de trabalho remunerado. O resultado disso tudo é o adoecimento. Muitas vezes dói o corpo todo e as mulheres não sabem dizer o que estão sentindo. Quando as mulheres adoecem, elas mesmas que cuidam de si”, explicou Andrea.
Superintendente doo Incra Cleofas Caju
Durante o encerramento do Fórum, o Superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) esteve presente e parabenizou a iniciativa da CAAASP. “A realização deste Fórum prova a competência e a coragem da CAAASP em assessorar as famílias do Alto Sertão e Médio Piranhas, fico tranquilo ao saber que os assentados estão em boas mãos”, declarou o superintendente. 
Participação de Sofia
O Fórum foi concluído com sucesso no dia 18 de dezembro com a participação da filha de assentado, Sophia Gonçalves de Figueiredo, que cantou na conclusão dos trabalhos, encerrando as diversas temáticas e promovendo o diálogo entre os assentados e assentadas do Médio Piranhas e do Alto Sertão paraibanos.

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