segunda-feira, 28 de março de 2016

APICULTURA no P.A. Frei Dimas.

Manejo apícola no P. A. Frei Dimas
Em uma região onde há bastante mata com a presença de espécimes nativas, nas serras de Catolé do Rocha, existe uma tradição familiar de convivência positiva e lucrativa com o semiárido, a apicultura. Assentados do P. A. Frei Dimas, associam a atividade agrícola com a criação de abelhas e apostam numa alternativa que garante, além dos recursos financeiros, a sobrevivência e a sustentabilidade daquele ecossistema.


Chegar ao P.A. Frei Dimas não é difícil, quem segue pela BR 230 deve ter atenção ao chegar ao contorno que dá acesso à cidade de Catolé do Rocha, daí continua pela PB 325. Todo o percurso foi devidamente sinalizado pela equipe de ATES da CAAASP – Central das Associações dos Assentamentos do Alto Sertão Paraibano. Ao passar pela cidade de Catolé do Rocha o visitante deve tomar a direção de Patu, pela RN 078, logo a frente há um acesso à esquerda por uma estrada vicinal, a partir daí começa um trecho de belíssimo cenário formado por rochas e exuberante fauna.
Aroeiras, juazeiros, mororós, angicos, pereiros, catingueiras e marmeleiros são algumas das árvores que, imponentes, sobrevivem – “ano a ano” – as intempéries climáticas e possibilitam que toda aquela região seja bastante rica em floradas sucessivas. Ainda, no período chuvoso surgem tantas outras espécies nativas e temporárias, entre elas a jitirana, que potencializam a região como grande produtora de mel e ótima localidade para desenvolver a criação de abelhas em cativeiro.
Região de exuberante flora

O Projeto de Assentamento ainda é bastante novo, quatro anos apenas, mas, entre as famílias assentadas já existe a tradição e o conhecimento técnico, indispensáveis para a expansão da atividade numa perspectiva mais ousada de empreendimento que, por exemplo, possa fazer do assentamento modelo na prática da apicultura.
"Seu Olívio", apicultor
Visitamos seu Olívio, um dos apicultores locais, e acompanhamos seu cotidiano na prática apícola. Quem também nos acompanhou foi Silvia, mais conhecida como “Silvinha” (irmã de Olívio), coordenadora da associação e apicultora. Ambos são filhos de apicultor e relatam sobre seus envolvimentos com a atividade e o cuidado no manejo sustentável de cada lote. Percebe-se que a criação de abelhas não impede que ambos possam ter outras atividades, no caso de Silvio ele cria também caprinos de várias raças, entre elas a boer.
Caprinos da raça boer
Caprinos da raça boer


Além de visitarmos a criação da abelha italiana (Apis mellifera lingusta) do seu Olívio, conhecemos o espaço devidamente preparado, no quintal de Dona Silvinha, para criação da abelha jandaíra (melipona subnitida duke), ela nos informa, ainda, que está em andamento a criação de um apiário comunitário, resultado de uma oficina realizada pelo IFPB – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba. Bastante entusiasmada, a apicultora comenta: “O nosso sonho é ver nosso Assentamento sendo modelo através da prática da meliponicultura”.

Abrigo construído para proteção das colmeias da abelha jandaíra (melipona subnitida duke

Abrigo construído para proteção das colmeias da abelha jandaíra (melipona subnitida duke)

Colmeia de Jandaíra (melipona subnitida duke)

Mas, ainda há muito para ser feito. Para que a prática da apicultura torne-se predominante no arranjo produtivo local, necessário se faz investimentos em infraestrutura. Tanto o acesso – “as estradas, no período chuvoso, ficam inacessíveis, comenta Olívio – quanto a aquisição de equipamentos (centrífuga, decantador de mel, mesa desocuperladora etc) indispensáveis para a expansão da atividade.
“Atualmente a gente processa o mel em equipamento de terceiro”, a fala de Seu Olívio é uma afirmação e um apelo, tanto às autoridades governamentais, quanto aos próprios vizinhos e parceiros do assentamento para que possam adquirir, em nome da coletividade, uma unidade de processamento do mel, o que iria agregar valor ao produto e, consequentemente aumentar a renda dos apicultores.

Irmãos, Olivio e "Silvinha", falam sobre a apicultura no P. A. Frei Dimas.


Outro problema que aflige aos assentados, de forma geral, é a presença de caçadores dentro da área do assentamento. Além do crime ambiental praticado por pessoas que vêm de várias localidades, principalmente, moradores da cidade de Catolé do Rocha, esses infratores quebram o sossego da comunidade, estressam animais, fazem focos de fogo na mata e criam um ambiente de insegurança para todos que ali vivem.
Apesar dos avisos, a prática ilegal da caça é um problema que casa insegurança no Assentamento

Resistindo aos obstáculos que a realidade impõe e cheios de esperança no futuro, sentimentos naturais de quem vive do que a natureza oferece, os apicultores do P. A. Frei Dimas dão lição de convivência com o semiárido e possibilitam acreditar numa nova realidade que surge no campo e tem como locomotiva mestra a agricultura familiar e sua diversidade. 

"Favos" da abelha Jandaíra (melipona subnitida duke)

  

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